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Notcias > Polcia - Atualizado em 29/07/2020 - 20:08:32

Liberdade a presos no Paraguai pode gerar o caos no Brasil
Silva JR

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A possível soltura de presos de cadeias públicas e presídios no Paraguai sob a alegação do risco de contaminação pelo novo coronavírus promete colocar a fronteira, sobretudo do lado de cá, em alerta máximo.

Isso porque, somente do PCC (Primeiro Comando da Capital) há hoje cerca de 300 detentos brasileiros em cadeias e penitenciárias paraguaias. 

As forças de segurança que atuam no enfrentamento de crimes como tráfico de drogas, armas e munições no Brasil alertam que, se eles forem soltos, isso representaria um verdadeiro caos, impossível de ser controlado e um barril de pólvora que pode explodir aonde certamente os presos viriam: suas residências no Brasil.

Nesta quarta-feira a soltura de presos no Paraguai ganhou força no debate, mais uma vez, mas ainda sem definição de quem deve ser solto. Deputados e líderes políticos já dão a medida como certa, fomentada, segundo eles, pela preocupação de juízes e promotores. 

Hoje, por exemplo, o governo paraguaio anunciou que a região de Alto Paraná, que incluiu Cidade do Leste e Presidente Franco, volta para uma quarentena mais restritiva após do aparecimento de um número elevado de novos casos de Covid-19.

Ocorre que a doença pode não ser o único pano de fundo para adoção desta medida, ao menos não quando se tratam de criminosos faccionados brasileiros.




Facções brasileiras ficam raiz do lado de lá

Essas facções criminosas agem na região da fronteira há muito tempo, mas foi na última década que elas intensificaram suas operações como verdadeiras transacionais do crime, disputando área e mercado, com brigas cada vez mais violentas e marcadas por muito sangue. Não é para menos, o ‘segmento’ bilionário tem no eixo Brasil/Paraguai um amplo e arejado percurso para o tráfico de cocaína, sobretudo a trazida da Bolívia, que entra ilegalmente no Paraguai , principalmente pela região do Chaco, e depois ganha o mundo, literalmente. Investigações criminais apontam a ligação e o fornecimento destes produtos até para a máfia italiana e para células terroristas no oriente médio. 

A regra vale para o mercado de armas, que entram no país vizinho vindas dos grandes centros produtores, são adquiridas por esses grupos – sempre de forma fria-, completas ou em partes para serem montadas depois e encaminhadas para o crime organizado brasileiro. Nos últimos anos, o rico setor do contrabando de cigarros também passou a ser ma atividade no portfólio do PCC.




As disputadas

O mercado do narcotráfico e do tráfico internacional de armas tem hoje sua disputa travada no país vizinho por dois grandes grupos brasileiros: o PCC, que nasceu em São Paulo, mas que tem no Paraná sua segunda maior casa, e o Comando Vermelho, nascido no Rio de Janeiro e que voltou a disputar espaço com seu principal rival. Ao lado desses dois grupos estão aliados como o ADA (Amigos dos Amigos) e a FDN (Força do Norte), grupos criminosos que ampliam suas atividades.

O PCC, por sua vez, é o mais articulado, apesar de viver um racha interno com a liderança de Marcos Camacho, o Marcola, após a morte de dois integrantes do Primeiro Comando no ano de 2018 com a justificativa de traição financeira.

O grupo fincou bandeira em pelo menos outros 5 países, além do Brasil, de modo que facilitasse toda a operacionalização da cadeia de entorpecentes. Além do tráfico de cocaína, há o cultivo e o processamento da maconha no Paraguai. O próprio PCC eliminou parte das cadeias de fornecimento e passou a operacionalizar todo o esquema, desde o cultivo da terra, plantio, colheita, processamento e a venda. Uma estimativa da Polícia Federal indica que mais de 90% do que é cultivado no Paraguai da droga vem para o Brasil.

Desta forma, a prisão de membros do Primeiro Comando da Capital no Paraguai representa, na avaliação de forças de segurança brasileiras, uma dor de cabeça às autoridades do país vizinho. Não é de agora que lá eles tentam se livrar deste problema.

Fontes ligadas à Polícia Federal, que atuam na fronteira do Brasil com o Paraguai, reforçaram ao Portal24h que essa poderia ser uma “grande chance” e mesmo “desculpa” para o país vizinho se livrar do problema de três siglas, com a soltura dos presos.




Os encaminhamentos

O governo paraguaio considera, no entanto, que não devem ser todos os detentos a serem soltos, mas que parte deverá sim ganhar liberdade. Ainda não se sabe quais critérios serão utilizados para a soltura.

 

Via: Redação/Juliet Manfrin - Foto: Divulgação


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